
A antropologia trata, com unanimidade, os aspectos corriqueiros da transmissão de conhecimentos, desde o Homo sapiens, pela via da convivência dos mais velhos e mais experientes, com os mais novos repletos de curiosidades. Estamos falando, portanto, de relacionamento e do quanto ele é capaz de revitalizar permanentemente os pilares do desenvolvimento cultural e social, de modo a possibilitar a reconstituição dos nossos passos e a criação de novos caminhos, geração a geração.
É com esse valor ancestral que me ocupo e me alimento, nos últimos anos, tentando imaginar o caráter lúdico do processo educacional em seus primórdios, procurando reproduzir, o quanto possível, a skholé grega e seu clima de prazer, no sentido de encaminhar pessoas à vida, por mais que isso possa parecer presunçoso, mas é ao que se presta o papel de Educador. Nele, a fusão entre passado presente e futuro forma uma única e exclusiva dimensão com certo ar de eternidade.
Recentemente, durante a “Aula da Saudade” dos formandos do Ensino Médio do Colégio Motiva de João Pessoa, pude perceber claramente o nível de reverência dos alunos por seus professores e, ainda que estes tenham participado da vida daqueles jovens apenas durante o terceiro ano, pareciam representar, sob a ótica dos alunos, os profissionais que ao longo dos anos estiveram presentes na vida de cada um deles. Naquela onda de entusiasmo senti pulsar uma sensação enorme de dever cumprido e confirmar o quanto posso considerar-me um homem privilegiado por ter como ofício a construção de pessoas e ter podido, como profissional, passar pela experiência de todas as fases do processo escolar, ou seja, da educação infantil ao ensino médio.
Durante as apresentações e homenagens que se sucediam, avistei na primeira fila uma menina que havia sido minha aluna na Educação Infantil e rapidamente voltei no tempo, lembrando até canções que ensinava. Um olhar mais atento sobre a platéia e pude reconhecer outros rostos e sorrisos de quem vi crescer nesta minha jornada de educador. Então constatei que educação é uma coisa tão dinâmica que a descobrimos diariamente, incessantemente e, mais do que isso, concluí que o tempo, longe de ser um fardo, é na verdade um presente.








