
Mundo esquisito, esse virtual. Traz para bem perto o que está longe, torna verdadeiro o que sequer existe, derruba conceitos e já não sabemos o que podemos chamar de palpável nessa franca revolução do "empirismo". É possível quebrar as barreiras da realidade e tornar "uno" tantos mundos possam caber no infinito. Este, um conceito ainda intacto, preservado.
Mundo maravilhoso, esse virtual. Chega a ser onírico, caminho ao olimpo, quiçá o próprio lugar dos deuses e dos demônios também, afinal tudo parece um.
Parece ou é?
E que diferença isso pode fazer? Quem poderá dizer que algo apenas parece se, diante dos nossos sentidos, se mostra irrefutável? "Assim é se lhe parece", disse Pirandello. Minha ignorância não me permite afirmações sobre a abrangência metafísica da colocação do grande autor, ma me aproprio, aqui, de suas palavras para caracterizar o conceito de ser que o mundo virtual ou digital acaba por construir.
Mundo perigoso, esse virtual. Imagine que o Central Park pode tornar-se mais familiar do que a pracinha do final da sua rua e que é possivel conhecer tudo sobre as linhas dos metrô de Londres e não saber qual linha de ônibus serve seu bairro. Podemos ir ao Louvre, ver o por do sol no Egito, estremecer com uma onda no Havaí e desconhecer como a Lua se mostra no céu a nossa cidade. Você pode não conhecer o seu visinho e ter, como melhor amigo, alguém que mora na Itália e jamais o abraçou. Pode também namorar uma pessoa da Dinamarca, sem nunca tê-la beijado, afinal tudo é uma questão de tempo, não demora e logo inventam o beijo virtual.
Sei lá, alguma coisa aí não me agrada. Aquilo que aproxima o que está longe pode, ao mesmo tempo, exilar o que está tão próximo! Tão assustador quanto fascinante, atraente e mágico, o futuro agora, avanço do homem que mostra o melhor de sua inteligência.
Mundo surrealista, esse virtual. Abre portas para tantas portas que abrem para outras que podem dar direto para a própria esquizofrenia.








