terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A DESCOBERTA DA EDUCAÇÃO


A antropologia trata, com unanimidade, os aspectos corriqueiros da transmissão de conhecimentos, desde o Homo sapiens, pela via da convivência dos mais velhos e mais experientes, com os mais novos repletos de curiosidades. Estamos falando, portanto, de relacionamento e do quanto ele é capaz de revitalizar permanentemente os pilares do desenvolvimento cultural e social, de modo a possibilitar a reconstituição dos nossos passos e a criação de novos caminhos, geração a geração.

É com esse valor ancestral que me ocupo e me alimento, nos últimos anos, tentando imaginar o caráter lúdico do processo educacional em seus primórdios, procurando reproduzir, o quanto possível, a skholé grega e seu clima de prazer, no sentido de encaminhar pessoas à vida, por mais que isso possa parecer presunçoso, mas é ao que se presta o papel de Educador. Nele, a fusão entre passado presente e futuro forma uma única e exclusiva dimensão com certo ar de eternidade.

Recentemente, durante a “Aula da Saudade” dos formandos do Ensino Médio do Colégio Motiva de João Pessoa, pude perceber claramente o nível de reverência dos alunos por seus professores e, ainda que estes tenham participado da vida daqueles jovens apenas durante o terceiro ano, pareciam representar, sob a ótica dos alunos, os profissionais que ao longo dos anos estiveram presentes na vida de cada um deles. Naquela onda de entusiasmo senti pulsar uma sensação enorme de dever cumprido e confirmar o quanto posso considerar-me um homem privilegiado por ter como ofício a construção de pessoas e ter podido, como profissional, passar pela experiência de todas as fases do processo escolar, ou seja, da educação infantil ao ensino médio.

Durante as apresentações e homenagens que se sucediam, avistei na primeira fila uma menina que havia sido minha aluna na Educação Infantil e rapidamente voltei no tempo, lembrando até canções que ensinava. Um olhar mais atento sobre a platéia e pude reconhecer outros rostos e sorrisos de quem vi crescer nesta minha jornada de educador. Então constatei que educação é uma coisa tão dinâmica que a descobrimos diariamente, incessantemente e, mais do que isso, concluí que o tempo, longe de ser um fardo, é na verdade um presente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ASSIM É SE LHE PARECE



Mundo esquisito, esse virtual. Traz para bem perto o que está longe, torna verdadeiro o que sequer existe, derruba conceitos e já não sabemos o que podemos chamar de palpável nessa franca revolução do "empirismo". É possível quebrar as barreiras da realidade e tornar "uno" tantos mundos possam caber no infinito. Este, um conceito ainda intacto, preservado.
Mundo maravilhoso, esse virtual. Chega a ser onírico, caminho ao olimpo, quiçá o próprio lugar dos deuses e dos demônios também, afinal tudo parece um.
Parece ou é?
E que diferença isso pode fazer? Quem poderá dizer que algo apenas parece se, diante dos nossos sentidos, se mostra irrefutável? "Assim é se lhe parece", disse Pirandello. Minha ignorância não me permite afirmações sobre a abrangência metafísica da colocação do grande autor, ma me aproprio, aqui, de suas palavras para caracterizar o conceito de ser que o mundo virtual ou digital acaba por construir.
Mundo perigoso, esse virtual. Imagine que o Central Park pode tornar-se mais familiar do que a pracinha do final da sua rua e que é possivel conhecer tudo sobre as linhas dos metrô de Londres e não saber qual linha de ônibus serve seu bairro. Podemos ir ao Louvre, ver o por do sol no Egito, estremecer com uma onda no Havaí e desconhecer como a Lua se mostra no céu a nossa cidade. Você pode não conhecer o seu visinho e ter, como melhor amigo, alguém que mora na Itália e jamais o abraçou. Pode também namorar uma pessoa da Dinamarca, sem nunca tê-la beijado, afinal tudo é uma questão de tempo, não demora e logo inventam o beijo virtual.
Sei lá, alguma coisa aí não me agrada. Aquilo que aproxima o que está longe pode, ao mesmo tempo, exilar o que está tão próximo! Tão assustador quanto fascinante, atraente e mágico, o futuro agora, avanço do homem que mostra o melhor de sua inteligência.
Mundo surrealista, esse virtual. Abre portas para tantas portas que abrem para outras que podem dar direto para a própria esquizofrenia.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OS MENINOS SÃO BONS


Fiquei absolutamente fascinado ao ver jovens entusiasmados e envolvidos, em um trabalho intelectual de alto nível, fazendo uso de conhecimentos refinados, trocando informações, interagindo, ora de forma séria, quase profissional, ora de forma lúdica, quase infantil. Vi que faziam programações sofisticadas, um teste ali, outro acolá e, no final, robôs cumpriam, obedientemente, as tarefas pré-estabelecidas, com rigor e precisão. Estas foram as minhas principais impressões da experiência de ter participado da III Olimpíada Brasileira de Robótica, realizada em Brasília de 21 a 23 de setembro.
Via de regra, nos referimos aos jovens fazendo queixas a cerca de sua rebeldia, desinteresse, falta de perspectiva, agressividade, alienação, etc, etc, etc. Parece sempre tão difícil lidar com adolescentes e a idéia de que não querem nada com nada, vai sendo disseminada nos meios educacionais e familiares que, diante do impasse, saímos a procurar culpados. A mídia, a falta de tempo dos pais, a internet, o celular, o shopping, os avós, o efeito estufa, globalização, Xuxa, drogas... Ufa! Tanta coisa, tanta desculpa e acabamos por projetar responsabilidades sem, contudo, fazermos a famosa e tão necessária autocrítica. Perdemos, completamente, a nossa memória, esquecemos nossa adolescência e discursamos como se fizéssemos parte da geração dos bem formados, dos sem problemas, dos super equilibrados, hiper responsáveis, ultra competentes...
Ora, mega babacas, isto sim é o que somos. Temos que nos perguntar, antes de tudo, qual é o projeto que temos para os nossos jovens, que legado pretendemos deixar e de que forma nós, pais e educadores, estamos construindo esse processo.
A vivência da OBR mostrou-me claramente que quando sinalizamos possibilidades, quando oferecemos ferramentas, apontamos horizontes e oportunizamos caminhos, os jovens os abraçam, criam metas, crescem e constroem.
Já disse Gilberto Gil: os meninos são todos sãos, os pecados são todos meus...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CLONECIDADES



No início deste mês estive em Fortaleza, levando meus alunos dentro de um projeto da escola chamado TURECO. Em linhas gerais, tentamos fazer um turismo pedagógico para a observação do espaço geográfico, da cultura local, história e, é claro, bastante lazer.
Antes de irmos, perguntaram-me se eu já conhecia a cidade, ao que respondi que sim. Que mentira! Fui a Fortaleza há cerca de vinte anos e aquela que visitei já não existe mais. Há uma nova cidade, um novo ritmo e novo clima também. Falésias desapareceram, palhoças sumiram, há mais bugres do que jangadas, menos pescadores, as rendeiras já não ensinam seu ofício às suas filhas e o paredão chic dos edifícios mudaram até o rumo dos ventos.
Não penso que as coisas devam permanecer intocadas, tampouco tenho a visão de um preservacionismo puro, inflexível, creio que o mundo deva ser dinâmico, até porque esta é a condição sine qua non do desenvolvimento, no entanto, não posso concordar que tudo tenha que ser igual. Quando assisto ao “desenvolvimento” das cidades, vejo que há uma tendência para uma certa direção, como se houvesse um único modelo possível. São Paulo e Rio de Janeiro já estão até parecidas, Belo Horizonte e Porto Alegre vão no mesmo caminho e nem a planejada Curitiba consegue ser diferente. Brasília não é mais a de Lúcio Costa e Niemeyer, todas, em seus aspectos, em suas aparências, me dão a sensação de déjà vu.
O detalhe, a coisa essencial, parecem estar encolhidos frente aos avanços, sejam eles tecnológicos,seja do capital ou do raio que o parta e, aos poucos, comprometemos nossa identidade, como se todos pudéssemos ter a mesma marca digital, como se fôssemos simplesmente digitais. As igualdades devem prevalecer no campo da justiça, das oportunidades, da atenção e do cuidado do poder, mas as diversidades devem ser mantidas e o caminho traçado, por cada um, segundo suas próprias experiências. Talvez as verdadeiras cidades sobrevivam ainda em seus becos, ruelas, antros & cantos, para parodiar meu amigo Lobo de São Paulo, pois certas marcas são encobertas, jamais apagadas.
A propósito, Fortaleza continua linda!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

INDÚSTRIA CULTURAL


Cultural às vezes, indústria sempre, contaminando as massas e transformando tudo em uma imensa tábua rasa. O sucesso a qualquer preço.


Esta semana, o "príncipe" dessa indústria se foi, encerrando sua passagem de forma patética, tanto quanto fora sua vida na maior parte dela. Foram tantos Michaels que sequer sabemos qual deles morreu. Talvez vários vieram a morrer durante esse tempo todo, um após outro, talvez nem tenham nascido de verdade e foram frutos da imaginação da gente carente de ídolos, ícones, sonhos... A indústria cultural tem sempre uma anestesia, está sempre pronta para transformar o bizarro em divino, a levar ao céu e ao inferno, aproveitando-se da frágil capacidade de raciocínio das massas.

Não se trata aqui de negar a genialidade do artista ou de querer reduzi-lo a um boneco de marionete, tampouco vejo ou sinto a necessidade de qualquer tipo de exaltação, nem estou certo de que haja uma obra de fato, capaz de romper o tempo e influenciar gerações, também não sei se chamou mais atenção por seu trabalho ou pelos escândalos que se sucediam. Estranha figura esse Michael!

Enfim, aos cinquenta anos, morreu Michael Jackson engasgado em sua solidão. No entanto, parece que nada mudou, nenhum vazio, nenhuma ausência, apenas o mesmo farto banquete para a abusada e lambuzada mídia, fiel escudeira desta indústria mal cheirosa.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A GAIOLA



Uma estranha forma

de preservação da fauna.





ECOTOQUE

É COMO TOCAR SEMPRE A MESMA TECLA.

CERTAS COISAS NUNCA MUDAM.

OU MUDAMOS AS COISAS SEMPRE DA MESMA FORMA: ERRADA.

QUANDO APRENDEREMOS A OCUPAR OS ESPAÇOS DE MANEIRA EQUILIBRADA E INTELIGENTE?






domingo, 17 de maio de 2009

FILAS: ORDEM E CORRUPÇÃO

Esta semana pude presenciar na UFPB – Universidade Federal da Paraíba, a fila de estudantes junto a AETC, para colar crédito em seus cartões de passe para os ônibus. Juro que fiquei impressionado com a naturalidade com que estes jovens desrespeitam a ordem da fila. Exatamente dentro da universidade, ambiente no qual depositamos nossas esperanças de crescimento e formação de um pensamento novo, libertador e justo. Fiquei a observar por um tempo a situação como um todo, sob o sol do meio dia, e a identificar e refletir sobre esta tal espécie, o FURADOR DE FILAS.

Vejo na cara dos furadores de fila o brilho sarcástico do frágil sentimento de poder. Seja qual for o tipo de fila, banco, restaurante, banheiro, teatro, show, trânsito ou transplante. Este último, ainda o mais grave, pois a tratar de vida e de morte pode estabelecer que os eventualmente menos influentes possam partir antes dos outros e, assim, nos antecipamos a Deus fazendo-lhe a triagem.

Pode parecer um detalhe, muitas vezes inocente, mas revela toda a nossa falta de educação, respeito e tolerância, bem como nossa incrível capacidade de corrupção. Isso mesmo CORRUPÇÃO! Em qualquer instância, significa transgredir a ordem em benefício próprio.

Há vários tipos de furões. Tem o famoso João sem braço, que chega como quem não quer nada, olha para os lados como se estivesse distraído e, quando menos se espera, lá está o cara de pau enfiado no início da fila. Existe também o tipo Marajá que paga a alguém para ficar em seu lugar na fila e só aparece quando chega sua vez. Acho que os mais comuns são aqueles que chegam sorrindo, encontram um velho conhecido e resolvem matar as saudades ali mesmo e, enquanto relembram os velhos tempos e fazem perguntas sobre quem se casou, quem nasceu, quem viajou e coisas assim, a fila vai caminhando e, de repente, quase sem querer, passam à frente de todo mundo. Poderia chamar este tipo de De volta para o passado. Não posso esquecer do tipo Office boy panaca. É aquele tipo que já está na fila para pagar uma conta, por exemplo, e vai pegando outras dos “amigos” que lhe encontram e cria uma pilha enorme de documentos e cheques, dinheiro e já nem sabe onde está sua própria conta. Nem percebe que o minuto que gastaria com seu próprio atendimento acaba se transformando em dez, enquanto os outros o aguardam no regozijo de suas “vantagens”. Sem falar nos super furões que são aqueles que, de tão poderosos, sequer a fila conhecem e passam a frente e por cima de todos.

Eu fico indignado. Sabiam que algumas crianças só ganham o colo da mãe em fila de supermercado? Só para fazer uso do caixa exclusivo! Velhinhas cujo único passeio é fazer a feira do mês, com o mesmo e infeliz objetivo, o uso do caixa para idosos. Aliás, alguns são até contratados por empresas, justamente para prestar este “serviço”.

As filas são o espelho, ou o retrato, de uma sociedade de valores pequenos, que não conhece o respeito e que pelo pouco uso dos seus direitos também não sabe praticar seus deveres. Estamos sempre aos trancos e barrancos, na base do salve-se quem puder e, por conta disso, nossa fila nunca anda, apenas cresce, no terreno do subdesenvolvimento.

domingo, 3 de maio de 2009

ONDA ROXA


Todo corinthiano é um corinthiano roxo. Quero dizer que não conheço nenhum que seja só um pouco corinthiano, nem aquele que torça por dois times, sequer contra um outro. Mas há quem possa me dizer que todo corinthiano é contra o...Bem, aquela dissidência que se veste de verde... Mas para tal afirmação, seria preciso, primeiro, reconhecê-los como time, como não o fazemos, continuo podendo afirmar que corinthianos sequer são contra qualquer time que seja, corinthianos são corinthianos.


Roxos fanáticos, roxos de raiva, roxos de felicidade! A gente sofre mas não desiste nem se encolhe, pelo contrário, a fiel grita mais alto, empurra, bota pra voar. Até argentino vira ídolo, se deixar, o ídolo acaba virando brasileiro, pois ninguém resiste ao calor da torcida. Já teve até carioca que virou paulista. Não há como deixar de ser tocado por esta magia.


Aos trancos e barrancos, Dentinhos, Cristians, Chicões, Andrés, Felipes guardiões,Jorge, São Jorge, somos todos Manos, somos todos em campo, somos mesmo um fenômeno. Sim, temos o Fenômeno a dar lições de futebol e superação. Como todos, também gostamos de ser campeões, mais do que isso, adoramos ser corinthianos, uma coisa que só quem é compreende. Rimos de quem não entende e é pouco contente porque só consegue a alegria no momento de glória, enquanto que a gente já atingiu a glória apenas com aquilo que sente.


E fomos nós para a segundona, afinal é como estava escrito na camisa de um torcedor: Sou corinthiano na segunda, na terça, na quarta, na quinta, na sexta, no sábado e no domingo. Nem deu tempo de rolar a primeira lágrima e já estamos de volta. E que volta! Campeões invictos! Corinthianos convictos!


Saudações corinthianas

sábado, 2 de maio de 2009

ROLA EM JAMPA


Muitos dizem que em João Pessoa não acontece nada e que os pessoenses não tem vida cultural. Será?

Claro que não é bem assim! Tem muita coisa rolando na cidade, eventos de altíssimo nível como este que iníciou ontem, primeiro de maio: o 4º CINEPORT.

É o maior evento do mundo do cinema de língua portuguesa que acontece pela segunda vez em João Pessoa, confirmando que nossa cidade tem sim um enorme talento cultural.

Além das mostras das mais de cem produções de Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Moçambique (a quem esta edição homenageia) o visitante tem a oportunidade de ver exposições, conhecer a culinária destes países e assistir a apresentações de músicos de primeiríssima linha.

O ingresso custa apenas R$ 2,00 e o Festival acontece até o dia 10 de maio na Usina Cultural Energisa. Confira a programação no site do evento: